Tradição Encontra Futuro

Recordista de títulos da Alemanha Oriental olha par ao futuro.

Autor: Henrik Manninen

Fonte: www.iihf.com

Data: 22/03/2017

Weisswasser – Na época em que se chamava Dynamo Weisswasser, o clube alemão que hoje se chama Lausitzer Fuchse foi campeão da Alemanha oriental por 15 vezes consecutivas.

Jogo de alta velocidade e uma ligação entre dois arqui-rivais da porção oriental do país tem agraciado a lendária agremiação alemã com uma paixão duradoura pelo hockey há 85 anos.

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Lausitzer Fuchse

Um ensurdecedor D-Y-N-A-M-O é pronunciado em uníssono pelo narrador da partida e torcedores, enquanto os jogadores uniformizados de azul e amarelo do Lausitzer Fuchse são recebidos em sua casa na Eisarena Weisswasser.

25 anos se passaram desde que o time passou a se chamar “Dynamo Weisswasser”, mas seu legado como a mais bem sucedida equipe de hockey no gelo da Alemanha Oriental ainda persiste, enquanto o clube segue uma batalha de Davi contra Golias.

“Ouvir os gritos de “Dynamo!” durante nossos jogos diz tudo sobre a importância histórica deste clube”, disse o treinador finlandês da equipe, Hannu Jarvenpaa, que faz sua primeira temporada no comando do Lausitzer Fuchse de Weisswasser, peça importante para levar a equipe mais jovem do campeonato aos playoffs da DEL2, segunda divisão do hockey alemão.

Tendo terminado em sexto durante a temporada regular e atualmente disputando cabeça à cabeça com os atuais campeões do Hassel Huskies às quartas-de-final da DEL2, o ataque fluído do Lausitzer Fuchse tem sido uma lufada de ar fresco nesta temporada, onde o treinador Jarvenpaa venceu o prêmio de melhor gestor do ano da DEL2, que lhe foi entregue em frente a seus torcedores no dia 17 de março.

Vivendo entre paisagens nas quais lagos pitorescos contrastam com veios marrons de minas de carvão a céu aberto nas proximidades da fronteira com a Polônia, Weisswasser viu sua população decrescer e seus troféus passarem por uma seca permanente desde a temporada 1989/1990, quando celebraram seu 25º título da extinta liga da RDA (República Democrática Alemã, conhecida como Alemanha Oriental).

Desde que o muro de Berlin foi derrubado em 1989, o hockey tem passado por um precário caminho de altos e baixos em Weisswasser. No comando desta temporada, Jarvenpaa, que mais recentemente trabalhou sete anos como treinador da EBEL (liga austríaca), foi escolhido a dedo para ser o homem que cuidará do futuro do Lausitzer Fusche, uma tarefa que ele diz ser “uma grande honra”.

“Desde que eu era um jovem que jogava pelo Karpat Oulu, eventos fora da Finlândia sempre me interessaram”, disse Jarvenpaa. “Naquela época eu guardava os resultados do hockey que eram publicados em jornais finlandeses e era muito fácil lembrar da liga da Alemanha Oriental com suas únicas duas equipes, de Berlin e Weisswasser”.

“Quando fiz minha estreia em campeonatos mundiais coma a Finlândia, no mundial de Praga em 1985, empatamos em 4 a 4 com a Alemanha Oriental. Lembro de ter pensado que Berlin é Berlin, mas por que Weisswasser?”, falou Jarvenpaa enquanto lembra que ainda guarda em casa uma fita k7 com a sua estreia, que ele fez questão de limpar e assistir antes de iniciar sua nova jornada.

Durante a hoje extinta era de 1949 e 1990, quando a Cortina de Ferro dividiu a Alemanha, uma decisão política do leste impulsionou o desenvolvimento do hockey no gelo na RDA. Por não haver possibilidade de se conseguir prestígio internacional, o financiamento foi drasticamente cortado em 1970 e daí em diante dois clubes, Berlin e Weisswasser, competiram entre si no campeonato doméstico.

Apesar da limitada disponibilidade de jogares, a RDA ainda conseguiu lutar acima do seu peso no cenário internacional. No mundial de 1983 na Alemanha Oriental, os jogadores do país chegaram ao mundial com apenas 10 partidas no ano e ainda assim conseguiram um inacreditável sexto lugar.

Enquanto o Dynamo Berlin pouco após a reunificação alemã se transformou no Eisbären e se tornou o recordista de títulos da liga alemã (DEL), com sete títulos, ajustar-se à nova era tem sido uma tarefa complicada para o provinciano Weisswasser, que até 1990 disputou seus jogos como mandante a céu aberto naquilo que foi um dia o mais moderno ginásio de hockey do continente, mas que após a queda do muro se tornou totalmente obsoleto para os padrões de seus visitantes ocidentais.

Desde 2002 a equipe de Weisswasser e chama Lausitzer Fuchse, que em tradução literal significa Raposas Lustianas em uma homenagem à história de sua região natal. Enquanto pedaços do muro de Berlin são vendidos por quase tanto tempo quanto o próprio muro dividiu a Alemanha, o Lausitzer Fochse anunciou um convênio com seu antigo rival, Eisbären Berlin, que é visto como um novo capítulo capaz de impulsionar o hockey na parte leste do país.

“Estamos no caminho certo para nos fixarmos na DEL2 com a oportunidade de trocarmos ideias e jogadores com um time de altíssimo nível, esta parceria entre duas equipes do antigo Leste é muito importante para nós”, disse o presidente do clube, Dirk Rohrbach.

Com a população de Weisswasser hoje em torno das 17 mil pessoas, suas pequenas área e possibilidade financeira fazem com que um retorno à elite do esporte seja uma possibilidade irreal. Mas enquanto levantar troféus ficou no passado, a paixão e o apoio vocal de seus torcedores parecem ser infinitos. Em janeiro, 8 mil torcedores – quase metade da população da cidade – estavam entre os 31.853 presentes no primeiro Winter Classic da DEL2, disputado contra os rivais da Saxônia, Eislowen Dresden, no estádio de futebol de Dresden.

Com o hockey em Weisswasser tendo completado seu 85º aniversário nesta temporada, o presidente Rohrbach faz questão de enaltecer a importância do Sausitzer Fuchse dentro da comunidade como forma de abrilhantar as vidas das pessoas na região, que enfrentaram drásticas mudanças recentemente.

Fora do gelo, os jogadores parecem terem entendido o recado. Enquanto jogaram apenas para sobreviver na DEL2 do ano passado, percorreram um longo caminho sob os cuidados de Jarvenpaa. Enquanto as quartas-de-final contra o Kassel Huskies continuam nesta semana, Jarvenpaa mantem a cabeça fria com um mantra que tem lhe servido bem durante esta temporada como treinador: “Você é tão bom quanto seu último jogo e, infelizmente, é verdade”.

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